O meu caso com a Cartier 


 

O meu caso com a Cartier 

Flavia da Veiga é presidente da Criativa Comunicação Integrada

Muito se fala sobre experiência do consumidor. Já li casos, já repliquei casos. Mas esta foi a primeira vez que vivi uma verdadeira e relevante experiência com uma marca.

Tudo começou quando fui convidada por uma cliente e amiga para ir a Singapura, onde ela concorria a um prêmio. Fui sem pensar e não tinha ideia do que me aguardava.

O evento era o Cartier Women’s Initiative Award, um projeto da joalheria Cartier, que visa a empoderar mulheres empreendedoras de negócios de alto impacto social. Seriam oito dias de treinamento e, no final, uma premiação.

Lembra aquela premissa básica do branding de que todos os pontos de contato da marca devem transmitir a mesma mensagem? Pois é, foi exatamente o que vivi.

Para começar com o básico: toda comunicação antes e durante era perfeita. Eu escrevia e a Cartier respondia de forma rápida, gentil e precisa.

Ao chegar em Singapura, um motorista muito gentil e educado, num carro do mesmo padrão da Cartier, nos levou para um hotel encantador. Chegando no quarto, uma sacola linda nos esperava com um conteúdo sofisticado, dando boas-vindas e explicando todo o evento. Toda a programação estava disponível num aplicativo que, por incrível que pareça, funcionava.

No dia seguinte começamos um treinamento no INSEAD, marca tão referência quanto a Cartier. Foi um MBA resumido em cinco intensos dias, mas altamente eficaz. Pontualidade, qualidade, metodologia e, ao mesmo tempo, exclusividade e gentileza.

Ao final do dia, quando achava que todo o mimo havia acabado, percebemos que estávamos só no começo: conhecemos os lugares mais incríveis, com o melhor atendimento, sempre com um toque surpresa. Não era uma programação vazia, sempre havia um propósito, como um jantar com investidores ou com as palestrantes do TED.

Até que chegou o “momento da verdade”: café da manhã com o CEO da Cartier. Será que o líder era igualmente encantador? Ele era muito mais que isso. E eu como não me seguro, precisei fazer a pergunta: com administrar a pressão dos investidores por retornos imediatos em vendas num projeto dessa magnitude?

Foi quando ele deu uma aula sobre propósito, dizendo que o resultado em vendas era consequência do negócio, e não o objetivo final. Que ele usaria essa marca forte, tradicional, reconhecida para ajudar mulheres no mundo todo a atingir seu potencial e, a partir dessas mulheres, alavancar transformações sociais. Pronto, me apaixonei.

Dia da premiação: absolutamente tudo perfeito. Nos sentimos rainhas sendo coroadas. E o que parecia um detalhe fez toda a diferença: todas as mulheres tiveram feedbacks para entender como seu projeto poderia ser melhor, e, as que não foram coroadas, entender o real motivo.

Voltamos sem a “premiação” final, mas diante de tudo o que vivemos isso foi um detalhe, pois nos sentimos premiadas todos os dias.

A Cartier é uma marca tradicional, que sofre toda a pressão do mundo moderno: tecnologia, millenniums, concorrência desleal. De forma inteligente e estratégica, resolveu ir além. À parte produtos sofisticados e perfeitos e atendimento exclusivo, tem presença mundial, com lojas lindas.

É uma marca com propósito, que sabe que a relação com suas clientes precisa ser baseada em significado. O que essa marca significa para as mulheres? Empoderamento para que elas próprias escrevam suas histórias na construção de um mundo melhor.

 

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